A
professora
Flávia
Piovesan
falou
durante
a
audiência
pública
realizada
no
Supremo
Tribunal
Federal
em nome
da
Fundação
Cultural
Palmares.Ela
sustentou
a
compatibilidade
das
cotas
com o
sistema
constitucional
brasileiro.
Flávia
Piovesan destacou
que
mulheres,
crianças,
povos
indígenas,
afro-descendentes,
pessoas
com
deficiência,
migrantes,
dentre
outras
categorias
demandam
proteção
especial.
E,
segundo
ela, sob
a
perspectiva
dos
direitos
humanos,
as ações
afirmativas
em prol
da
população
afro-descendente
surge
como um
instrumento
capaz de
enfrentar
a
injustiça
social e
econômica.
“Para
assegurar
a
igualdade,
não
basta
apenas
proibir
a
discriminação
mediante
legislação
repressiva,
pois a
proibição
da
exclusão
em si
mesma
não
resulta
automaticamente
em
inclusão”,
disse ao
defender
as
cotas.
Segundo
ela, a
própria
Constituição
prevê as
ações
afirmativas
como
medidas
sociais
de
proteção
com o
objetivo
de
assegurar
o
progresso
de
certos
grupos
raciais
ou
étnicos
e são
consideradas
medidas
necessárias
e
legítimas
para
“remediar
e
transformar
o legado
de um
passado
discriminatório”.
Além
disso,
ela
defende
que as
cotas
são
consonantes
com a
Constituição
porque, desde
1988, os
contratos
de
direitos
humanos
foram
ratificados
pelo
Brasil
para
diminuir
a
desigualdade
social.
“A
adoção
das
cotas
raciais
tem
amplo,
consistente
e sólido
amparo
jurídico”,
disse a
professora
ao pedir
que o
Supremo
Tribunal
Federal
(STF)
“celebre
o
triunfo
dos
direitos
fundamentais,
dos
quais é
o maior
guardião”.
PROFESSOR
DA USP
DEFENDE
O
SISTEMA
DE COTAS
COMO
COMPENSAÇÃO
Ao fazer
sua
apresentação
durante
o último
dia de
audiência
pública
sobre
reserva
de vagas
em
universidades
públicas
por
critério
racial,
o
professor
Fábio
Comparato,
da
Universidade
de São
Paulo
(USP),
se
manifestou
em favor
do
sistema
de
cotas.
O
professor
destacou
a sua
tristeza
ao
constatar
que após
um
século
da
abolição
da
escravatura,
ainda se
discute
uma
política
que
certamente
não é
suficiente
para dar
aos
negros e
pardos
que
vivem no
território
brasileiro
uma
posição
de
relativa
igualdade
com os
demais
brasileiros.
Em sua
opinião,
a
medida,
apesar
de não
ser
suficiente,
ajuda a
reparar
os danos
causados
aos
negros
historicamente
no país.
Para
ele,
quando
se
discute
a
constitucionalidade
ou não
do
sistema
de
cotas,
deve-se
levar em
conta
que “até
hoje a
Constituição
foi
descumprida
no que
diz
respeito à
proteção
dos
negros e
pardos
no
ensino
superior”.
Seria,
portanto,
uma
medida
para
garantir
a
diminuição
da
desigualdade
social,
uma vez
que dos
10% mais
pobres
da
população,
70%, ou
dois
terços,
são
negros e
pardos e
recebem
quase a
metade
do
salário
dos
brancos.
“Foram
quase
quatro
séculos
de
escravidão
e não
suscitam
a menor
e mais
leve
discussão
sobre a
necessidade
ética e
jurídica
de se
dar aos
descentes
de
escravos
uma
mínima
compensação
por um
estado
de
bestialidade
ao qual
eles
foram
reduzidos
pelos
grupos
dirigentes”,
disse.
PROFESSORES
DEFENDEM
O
SISTEMA
DE COTAS
COMO
FORMA DE
REPARAÇÃO
E
AMPLIAÇÃO
DA
DIVERSIDADE
Os dois
últimos
especialistas
a se
apresentarem
na
audiência
pública
sobre o
sistema
de cotas
raciais
nas
universidades
defenderam
suas
teses
para
justificar
a
reserva
de vagas
por
critério
racial.
O
professor
de
Ciência
Política
da
Universidade
Federal
de Minas
Gerais
(UFMG),
Leonardo
Avritzer,
fez o
seu
discurso
em prol
da
diversidade
nas
universidades.
Segundo
ele, o
objetivo
principal
de uma
instituição
universitária
é a
produção
de um
saber
diversificado.
Para
isso, “é
necessário
tomar a
questão
da raça
como um
dos
critérios,
ainda
que não
único,
para a
introdução
da ação
afirmativa
na
instituição
universitária”.
Para o
professor,
a
universidade
só pode
cumprir
sua
missão
se
houver
diversidade
e as
principais
instituições
de
excelência
defendem
a
importância
da
mistura
étnica
racial
para o
conhecimento
e para a
educação
de alta
qualidade.
Em sua
opinião,
a ação
afirmativa
é
importante
para
além da
universidade,
para
constituir
um
mercado
de
trabalho
também
diversificado,
considerando
ainda
que
pesquisas
mostram
diferenças
gritantes
de
salários
no
Brasil
entre
negros e
brancos.
Ele
destacou
ainda a
importância
das
audiências
públicas
realizadas
pelo
Supremo
Tribunal
Federal
(STF):
“as
audiências
públicas
são
aquilo
que
tornam a
nossa
democracia
real,
palpável
para os
cidadãos
brasileiros”,
disse.
PRESIDENTE
DA
AFROBRAS
O
professor
José
Vicente,
reitor
da
Universidade
Zumbi
dos
Palmares
e
presidente
da
Sociedade
Afro-Brasileira
de
Desenvolvimento
Sócio
Cultural
(Afrobras),
ao fazer
sua
apresentação,
falou
que a
instituição
que
preside
teve
início
ao fazer
cursinho
preparatório
para a
inclusão
de
estudantes
negros
nas
universidades.
Ele
também
criou o
programa
"Mais
Negros
nas
Universidades",
além do
programa
de
"Jovens
Negros
no
Mercado
de
Trabalho",
por meio
do qual
bancos
passaram
a
contratar
centenas
de
jovens
negros
para
vagas de
emprego.
Segundo
ele, há
décadas,
ações
afirmativas
e cotas
estão
sendo
desenvolvidas
e
espalhadas
nos mais
variados
espaços
sociais
do país.
E, “onde
houver
desigualdade,
é
obrigação
e dever
moral
ético e
constitucional
do
estado
agir de
modo
próprio,
ainda
que de
forma
extraordinária
e
excepcional,
para a
equalização
das
oportunidades”.
Ele
afirmou
que a
situação
dos
negros
brasileiros
“é um
caso
evidente,
profundo
e
angular
de
desigualdade
estrutural”.
Destacou
que
foram
mais de
300 anos
de
escravidão
sem
qualquer
tipo de
reparação.
Por
quase
quatro
séculos
homens,
mulheres
e
crianças
negras
foram
sequestrados,
subjulgados
e
torturadas
com a
complacência
das
instituições
daquela
época.
Nesse
aspecto,
o
professor
comparou
com a
realidade
dos
negros
americanos,
que
também
foram
escravizados,
mas
puderam,
posteriormente,
criar
suas
escolas,
suas
igrejas
e suas
universidades.
Afirmou,
com
isso,
que os
negros
brasileiros
nunca
puderam
e não
tiveram
nenhum
desses
direitos,
inclusive
o de
acesso a
educação.
Para
ele, “é
impossível
imaginar
qualquer
sentido
de
normalidade
se no
espaço
do
ensino
superior
somente
uma
categoria
de
brasileiros
dele
possa
participar.
Será
terrivelmente
cruel e
insano
pensar e
manter
um
status
onde
negros e
brancos,
por
antecipação,
estarão
impedidos
para o
resto da
vida de
sentar
lado a
lado num
banco
escolar”.
Ao
finalizar,
afirmou
que o
papel do
sistema
de cotas
da
Universidade
de
Brasília
(UnB),
além de
promover
e
homenagear
a
justiça,
“tem
importância
imperativa
de
devolver
a
sanidade
ao nosso
país”.
Em sua
opinião,
o
sistema
tem “a
capacidade
de
calcinar
a
profunda
fratura
exposta
que
mantém
separados
e
desiguais
negros e
brancos
em nosso
país”.
REPRESENTANTE
DA
FUNDAÇÃO
CULTURAL
PALMARES
FALA EM
FAVOR
DAS
COTAS
PARA
INGRESSO
DE
NEGROS
NO
ENSINO
SUPERIOR
Favorável
ao
ingresso
de
negros
em
universidades
públicas
pelo
sistema
de
cotas,
Luiz
Felipe
de
Alencastro,
professor
titular
da
Cátedra
de
História
do
Brasil
da
Universidade
de
Paris-Sorbonne,
representou
a
Fundação
Cultural
Palmares
na
audiência
pública
que o
Supremo
Tribunal
Federal
(STF)
realiza
para
discutir
o tema.
Ele
falou
sobre o
racismo
na
formação
da
população
brasileira
e sobre
as
“desvantagens
sociais
para a
população
negra,
alvo de
discriminação
racial,
no
acesso
aos bens
materiais
e
imateriais
produzidos
em nossa
sociedade”.
Alencastro
revelou
que,
neste
ano de
2010, os
brasileiros
afrodescendentes
-
cidadãos
que se
autodefinem
como
pretos e
pardos -
passam a
formar a
maioria
da
população
do país.
Segundo
o
professor,
essa
mudança
vai
muito
além da
demografia,
trazendo
ensinamentos
sobre
passado
e também
desafios
para o
futuro,
que
mostram
a densa
presença
da
população
negra na
formação
do povo
brasileiro.
“Todos
nós
sabemos
que esta
presença
originou-se
e
desenvolveu-se
na
violência”,
disse,
ao
referir-se
sobre a
prática
punitiva
da
tortura
policial.
No
entanto,
ele
ressaltou
que,
apesar
de os
negros
terem
sido o
principal
alvo da
violência
da
polícia,
esta se
estendeu
aos
pobres
em
geral.
O
professor
destacou
que
nenhum
país
americano
praticou
a
escravidão
em tão
larga
escala
como o
Brasil.
“Do
total de
cerca de
11
milhões
de
africanos
deportados
e
chegados
vivos
nas
Américas,
44%,
perto de
5
milhões,
vieram
para o
território
brasileiro
no
período
de três
séculos”,
contou.
De
acordo
com
Alencastro,
a
redução
das
discriminações
que
ainda
pesam
sobre os
negros
consolidará
a
democracia
brasileira.
“Portanto,
não se
trata
aqui de
uma
simples
lógica
indenizatória
destinada
a quitar
dívidas
da
história,
como foi
o caso,
em boa
medida,
dos
memoráveis
julgamentos
desta
Corte
sobre a
demarcação
de
terras
indígenas”,
destacou.
O
professor
informou
que,
conforme
as
estatísticas,
a
entrada
na
universidade
constitui
o ponto
de
estrangulamento
essencial
da
discriminação
racial e
da
diferença
de
oportunidades
que há
no
Brasil.
O âmbito
universitário
já foi
enriquecido
com a
presença
dos
estudantes
que
entraram
pelo
sistema
de cotas
nas
comunidades
universitária
e
científica.
Ao
final,
Luiz
Felipe
de
Alencastro
entendeu
que a
questão,
que é
carregada
de
emoção
no
Brasil,
não
deveria
ser
apresentada
como um
corte
entre
direita
e
esquerda,
governo
e
oposição.
“A
existência
de
alianças
transversais
devem
nos
conduzir,
mesmo
num ano
de
eleições,
a um
debate
menos
ideologizado,
onde os
argumentos
de uns e
de
outros
possam
ser
analisados
e
levados
ao sábio
juízo
desta
Corte, a
fim de
contribuir
para a
superação
da
desigualdade
social
que pesa
sobre os
negros e
a
democracia
brasileira”,
concluiu.
PARA
REPRESENTANTE
DA
CONECTAS
DIREITOS
HUMANOS,
AÇÕES
AFIRMATIVAS
SÃO
CONSTITUCIONAIS
E
LEGÍTIMAS
O
professor
Oscar
Vilhena,
doutor e
mestre
em
Ciência
Política,
doutor
em
direito
e
representante
da
Conectas
Direitos
Humanos
(CDH),
foi um
dos
expositores
na
audiência
pública
sobre
políticas
de
acesso
ao
ensino
superior,
que
acontece
desde
esta
quarta-feira
(3) no
Supremo
Tribunal
Federal
(STF).
Para
ele, as
ações
afirmativas
são
“suavemente”
aceitáveis
pela
Carta
Magna e
buscam
“aliviar
a
inconstitucionalidade
de
processos
seletivos
excludentes”.
“Elas
são uma
exigência
constitucional
entre as
diversas
políticas
públicas
que a
nossa
Constituição
determina”,
ressaltou.
Ao
agradecer
a
oportunidade
de
participar
dos
debates
sobre o
tema,
ele
classificou
a
audiência
como “um
momento
histórico,
que vai
fazer
com que
esta
Corte
construa
uma
posição
vanguardeira
entre as
grandes
cortes
constitucionais
do
mundo”.
Ele
iniciou
seu
discurso
alertando
os
presentes
sobre a
importância
de se
desmistificar
um mito:
o de que
a ação
afirmativa
é uma
ideia
norte-americana.
Segundo
Vilhena,
ela foi
inventada
pela
Constituição
indiana,
por
iniciativa
de
Mahatma
Gandhi e
Jawaharlal
Nehru,
líderes
indianos,
para que
o Estado
tomasse
medidas
claras
para
reverter
um
processo
secular
de
estratificação
dos mais
perversos
que
existem
na
humanidade.
“Estamos
aprendendo
com os
indianos,
e isso é
algo de
que
sentimos
necessidade
se
quisermos
mudar a
nossa
sociedade”,
explicou.
Ele
também
observou
que os
programas
de ações
afirmativas
que
incluem
os
critérios
raça,
pobreza
e origem
escolar,
entre
outros,
além de
não
serem
incompatíveis
com o
princípio
formal
da
igualdade,
são uma
exigência
da
Constituição
para o
alcance
dos
objetivos
constitucionais.
Mas, na
visão do
professor,
qualquer
mecanismo
de
escolha
dentro
do
Estado
que
exija
critérios
de
discriminação,
como o
vestibular,
leva “a
uma
enorme e
desproporcional
exclusão
de
determinados
setores
da
sociedade”.
De
acordo
com
Vilhena,
a nossa
ordem
constitucional
propõe
que
processos
seletivos
excludentes
não
sejam
tolerados.
“As
ações
afirmativas
ajustam
aquelas
condições
que não
foram
dadas a
determinados
setores,
para que
todos
possam
concorrer
em
igualdade
de
condições.
O acesso
à
educação
universitária
deve ser
segundo
a
capacidade.
Mas o
nosso
vestibular
não mede
a
capacidade,
mede
investimento”,
opinou.
O
professor
também
citou
sua
experiência
como
estudante
de
universidade
predominantemente
“branca”,
o que,
segundo
ele, não
é
plural,
além de
não
oferecer
condições
para a
realização
da
missão
constitucional
dessa
instituição
de
ensino,
que
abrange,
entre
outras
questões,
a
capacidade
de
atender
ao
pluralismo
e
realizar
programas
de
extensão,
de
contribuição
com a
sociedade.
“É
possível
ter
ensino
plural
com
grupos
homogêneos?
É
possível
ter
extensão
quando a
escola
sequer
se abre
a esses
grupos
com as
quais
deveria
dialogar?”,
questionou.
Vilhena
reafirmou
sua
posição
favorável
às
políticas
de
acesso
ao
ensino
superior,
consideradas
por ele
como
instrumentos
legítimos.
“A
universidade
é o
principal
mecanismo
pelo
qual
incluímos
pessoas
e damos
a elas
possibilidade
de
representação
social.
Fechar
as
portas
da
universidade
aos
não-brancos
gerou
uma
sociedade
desigual,
perversa,
injusta.
Todos
esses
anos
após a
escravidão
nos
legaram
uma
sociedade
violenta,
fragmentada.
Agora,
temos
aqui a
chance
de
reconstruir
a nossa
sociedade”,
concluiu
o
professor.
Audiência
A
audiência
pública
sobre
políticas
de
acesso
ao
ensino
superior
foi
convocada
pelo
ministro
Ricardo
Lewandowski,
relator
no STF
dos dois
processos
que
tratam
do tema
– a ADPF
186 e o
Recurso
Extraordinário
(RE)
597285.
Os
debates
estão
sendo
realizados
na Sala
de
Sessões
da
Primeira
Turma da
Corte e
terminam
nesta
sexta-feira
(5).
KABENGELE
MUNANGA
DIZ QUE
POLÍTICAS
DE COTAS
PODEM
CORRIGIR
QUADRO
GRITANTE
DE
DISCRIMINAÇÃO
NO
BRASIL
Representante
do
Centro
de
Estudos
Africanos
da
Universidade
de São
Paulo
(USP),
Kabengele
Munanga
participou
do
segundo
dia de
debates
da
audiência
pública
sobre
políticas
de
acesso
ao
ensino
superior,
promovida
pelo
Supremo
Tribunal
Federal
(STF).
Africano
residente
no
Brasil
há 35
anos, o
doutor
em
antropologia
social
considerou
“gritante”
o quadro
de
discriminação
no país,
se
comparado
com
outras
nações
que
conviveram
com o
racismo,
como os
Estados
Unidos e
a África
do Sul.
“Os
dados
mostram
que, à
véspera
do
Apartheid,
a África
do Sul
tinha
mais
negros
com
diploma
de nível
superior
do que
no
Brasil
de
hoje”,
observou.
Para
ele,
“algo
está
errado
no país
da
democracia
racial,
que
precisa
ser
corrigido”,
e que
pode ser
alcançado,
ou
amenizado,
por meio
da
adoção
de
programas
de ação
afirmativa.
Ele
lembrou
que nos
últimos
oito
anos, a
começar
pela
Universidade
Federal
do Rio
de
Janeiro,
onde a
política
de cotas
foi
aprovada
em 2001,
dezenas
de
universidades
públicas
federais
e
estaduais
passaram
a adotar
o
sistema,
contrariando,
segundo
ele,
“todas
as
previsões
escatológicas
dos que
pensam
que
provocaria
o
racismo
ao
contrário
e,
consequentemente,
uma
guerra
racial”.
De
acordo
com
Munanga,
a
experiência
brasileira
desses
últimos
anos
mostra
totalmente
o
contrário.
“Não
houve
distúrbios,
linchamentos
raciais
em
nenhum
lugar.
Não
apareceu
nenhum
movimento
‘Ku Klux
Klan’ à
brasileira”,
frisou.
Prova
disso,
segundo
ele, é
que os
programas
de cotas
raciais
estão
sendo
bem
aceitos
e
compreendidos
pelo
povo
brasileiro.
Ele
citou
avaliações
realizadas
recentemente,
as quais
revelaram
que
cresceu
o número
de
ingresso
e de
diplomados
negros e
indígenas
no
ensino
superior,
chegando
a um
índice
jamais
antes
alcançado
em todo
o século
passado.
“O que
se busca
pela
política
de cotas
para
negros e
indígenas
não é
para
terem
direito
às
migalhas,
mas sim
para
terem
acesso
ao topo
em todos
os
setores
de
responsabilidade
e de
comando
na vida
nacional
onde
esses
dois
segmentos
não são
devidamente
representados,
como
manda a
verdadeira
democracia”,
declarou.
Para
ele,
educação
e
formação
de boa
qualidade
oferecem
a chave
e a
garantia
de
competitividade
a todos
os
brasileiros,
e a
política
de cotas
busca a
inclusão
dos
estudantes
que, por
razões
históricas
e
culturais,
ainda
encontram
barreiras.
Ele
também
rebateu
os
argumentos
dos
manifestamente
contrários
às
políticas
de
cotas,
entre
eles, o
de que o
sistema
adotado
no
Brasil é
uma
“política
importada”,
e o de
que as
cotas
violariam
o
princípio
do
mérito,
“segundo
o qual,
na luta
pela
vida, os
melhores
devem
ganhar”.
Antes de
concluir
sua
exposição,
Munanga
reafirmou
sua
posição
favorável
à
constitucionalidade
dos
programas
de cotas
raciais,
por
serem
políticas
de
integração
da
sociedade.
“Mas
como não
há
unanimidade
em
matéria
de
interpretação
das leis
e da
Carta
Magna da
nação
brasileira,
resta
para
nós,
pessoas
comuns,
apenas a
esperança
de que
os que,
de
direito
possam
nos
oferecer
a
sentença,
possam
nos
oferecer
a
sentença
que
desejamos.
Muito
agradeço
a
oportunidade
de
defender,
sem medo
de
errar,
os
interesses
de um
segmento
importante
da
sociedade
brasileira,
que são
também
interesse
do
Brasil”,
finalizou.